sexta-feira, 9 de março de 2012

Presente.

O agora é como o passado embrulhado pra presente, numa caixa enfeitada, colorida e chamativa. Dentro da caixa cabem todos os cheiros, cores, luas, sois, sabores, palavras, sons, desejos e todas aquelas coisas que fazem a gente lembrar de um momento ou de alguém.

O meu embrulho  é azul por fora, um azul tranquilo... percebesse que foi feito com capricho, cuidado e paciência com muito apego aos detalhes, tem alguns rasgões concertados com fita adesiva roxa, mais eles dão um charme a mais, o laço que envolve a caixa é meio frouxo, nota-se logo que o interior da caixa é visitado com frequência, o laço é feito de cetim cor de perola. Dentro da caixa é laranja, amarelo e mais um plural de cores quentes, tem um cheiro gelado cítrico e amadeirado, como de uma noite fria ao som de um violão, algumas palavras são escritas com giz de cera outras em grafiti comum. Muitas coisas estão dentro da caixa bagunçadas de uma forma organizada, dispostas de uma maneira pra que novas coisas sejam também colocadas lá. É muito difícil tirar algo da caixa, quando se retira algo todo o resto deve se reorganizar e por um tempo a caixa fica uma bagunça ate que se encontre um lugar pra cada coisa novamente. Algumas vezes quando temos "preguiça" de arrumar a caixa nos contentamos em apenas encontrar algo pra colocar no espaço vazio que restou e assim não ter que reorganizar tudo novamente. Na maioria das vezes costumamos separar as coisas ruins das boas, escanteamos as coisas ruins para um canto escuro da caixa, nem olhamos lá, tudo que é ruim jogamos ali onde se acumulam, então quando nos atrevemos a vasculhar por este canto ruim da caixa a gente as vezes se machuca, organizar o canto ruim da caixa é muito perigoso, mais as vezes necessário. É fácil se encontrar dentro da caixa, é fácil se perder dentro da caixa. Me encontre dentro da caixa.

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